Mulher viajando sozinha

Esse não é mais um post de roteiro ou dica de hotel ou restaurante, é uma reflexão, é falar o que eu penso e, se possível, encorajar mais mulheres por aí a fazerem o mesmo que eu: desbravar o mundo sozinhas.

Com menos de um mês de blog escrevi o post “10 coisas que aprendi viajando sozinha” e agora, mais de 6 meses depois, acho importante voltar ao assunto, por que, querendo ou não continua sendo um “tabu”. Você pode achar que “tabu” é coisa mais séria, é religião, é sexo, mas a palavra “solidão” continua sendo uma das mais fortes e difíceis de encarar por aí, e pra mim, isso é tabu, principalmente a “solidão” se tratando de mulheres.

Vamos para o que interessa: o Brasil é um país machista e conservador, mas, para o padrão mundial, no quesito, estamos um tanto quanto avançados se formos pensar, principalmente no Oriente Médio. Nós, mulheres, temos aqui direitos de fazermos tudo, ou quase tudo que um homem faz, somos livres. Até ai, ok. Na nossa zona de conforto as coisas estão ok.

Eu, particularmente, sempre fui mais desencanada pra essas coisas de “solidão”. Sou do tipo que prefere fazer compras sozinha, curto ir no cinema e muitas vezes até almoçar na minha própria companhia. Mas tem gente que precisa de alguém pra tudo, pra ver um filme, pra ir no shopping, pra almoçar… Parece texto pra quem tá na fossa, do tipo “Vai lá, você é forte, você consegue ser feliz sozinha”, ou talvez não faça sentido pra você que está lendo, mas, pensando bem, é um texto pra mim. É uma auto confirmação: sim, vai dar certo, você vai ser feliz sozinha, aproveite sua própria companhia.

E por que tudo isso agora? Por que estou em contagem regressiva para a minha viagem,1 mês sozinha, tudo planejado por mim, comprado por mim e organizado do meu jeitinho. Quando eu conto que vou sozinha as reações são diversas, afinal, “nem 20 anos eu ainda tenho e já acho que posso sair pelo mundo como se soubesse da vida” e a maioria não entende, me acham louca. “Sozinha?! Você, uma mulher de 19 anos vai viajar 1 mês sozinha?” Pois é.

Já admiti que o texto é pra mim, mas pode ser pra você também, mulher, nova ou velha, que quer sair pelo mundo sozinha, mas não tem coragem, mas acha que não consegue. O discurso “o mundo é grande demais” já tá meio batido, né? Apesar de ser a mais pura verdade e o que eu de fato descubro em todos os lugares que eu vou, tem mais coisa aí.

Viajar sozinha é se descobrir, é perder os medos , é sair da zona de conforto, se esforçar pra falar outra língua, passar perrengue e ter que resolver com no máximo a ajuda de um estranho que você precisa confiar, é voltar pra casa e ver que tudo tá igual e você, tão diferente.

Dessa vez meu roteiro não inclui nenhum país que eu sei que não seria seguro ir sozinha, digo países muçulmanos que, infelizmente, em muitos deles não seria respeitada pelo simples fato de ser mulher, mas espero algum dia poder ir sem medo. Até lá tem lugar demais pra ser espetado no mapa e explorar um pouco mais.

Mulheres, vão na fé: “o mundo é grande demais”.

10 coisas que aprendi viajando sozinha

Viajar com a família é ótimo, com o namorado também, com as amigas então, nem se fala, mas viajar sozinho é bom demais.

10 coisas que aprendi viajando sozinha por esse mundo

O mundo é muito grande. Isso vai muito além do espaço físico. O mundo é enorme, com milhares de culturas, pessoas, lugares, línguas e hábitos diferentes. Não tem nada melhor que descobrir isso com os próprios olhos e abrir a  cabeça para o novo e o desconhecido. Para mim o inusitado mesmo foi ficar amiga de uma muçulmana que apenas seus olhos era possível enxergar e, mesmo com todas as diferenças culturais, ver que somos parecidas.

Thank you. Só quando viajamos para fora do país que percebemos o quanto é maravilhoso falar inglês ou pelo menos entender o mínimo que seja (se você não sabe ainda, nunca é tarde para aprender). Nos poupa tempo, stress e ainda conhecemos gente nova e compartilhamos ideias. Ou seja: só benefício!

Não. Esqueça. Nada. Quando se está sozinho em algum lugar a atenção é redobrada. Em metrôs, trens, aeroportos, aviões, ônibus, enfim, em qualquer lugar, nunca é demais dar mais umas dez olhadas e conferir se não deixou nada pra trás.

Tenha sempre um livro em mãos. Não é todo aeroporto que tem free wi-fi, aliás, são bem poucos, portanto tenha sempre seu livro com você. Se não curte ler pega um mapa do seu destino e vai aprender mais sobre a cidade. No meu último mochilão não levei nenhum livro pra economizar espaço. Que erro. Devia ter deixado umas roupas pra trás…

Ser brasileiro é legal demais. Não somos o povo mais nacionalista do mundo, afinal os americanos tão ai pra isso, mas quando se trata de brasileiro no exterior, a gente morre de orgulho. Do povo caloroso, da cultura, das praias maravilhosas, do futebol e desse país tão diversificado que somos. 8 em 10 brasileiros que dizem que são do Brasil lá fora recebem, com entusiasmo, um: REALLY? That’s cool!

Há uma diferença enorme entre estar sozinha e estar solitária. Aprendi que estar sozinha não é a mesma coisa que estar solitária. Estou sozinha e me sinto por inteiro, estou por inteiro em qualquer lugar que for e é diferente da solidão. Existe muita gente que está rodeada de pessoas, mas se sente solitária.

Chamadas de vídeo acalmam o coração. Quando bate a solidão nas viagens sozinhas, nada melhor que fazer aquele skype/facetime com quem a gente gosta pra matar a saudade.

Saber falar “obrigado” e “bom dia” na língua local nunca é demais. Você não precisa saber todas as línguas do mundo, mas se estiver indo para a França é legal saber falar um “merci”, né?

Quarto de hotel e hostel só para dormir. A wifi no hotel é grátis e você quer ficar no whatsapp contando pros amigos sobre a viagem? Desce pro saguão. Principalmente se for hostel, por que aí sim a diversão está toda lá em baixo (ou em cima, se for o caso). Legal mesmo é ver e conhecer gente nova, não precisa ficar trancado no quarto.

“Esqueça o cel e olhe o céu.” Quando a gente volta de viagem só bate aquele arrependimento de ter ficado tanto tempo no celular… A cada viagem descubro isso um pouquinho mais. Então, por mais difícil que seja, estou aprendendo a deixar o celular de lado e aproveitar o momento. 90% do que vemos e conversamos podem ser resolvidos depois.

No chão, mala embaixo e livro na mão.

Leia também

Como continuar viajando na crise

Mulher viajando sozinha